quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

ainda a TAP e a sua privatização - gestão danosa?

Não estivesse o país completamente absorvido nos casos judiciais actuais e a questão da TAP seria muito mais discutida de tão grave que é. O que está a acontecer começa a ser muito preocupante e o silêncio impera.  Parece que ninguém fala do facto que das empresas de bandeira que há, quase nenhuma viaja para o Porto (nem Air France, nem KLM, nem Alitalia só para falar de algumas).  Relativamente a Lisboa, voam quase todas, mas reduziram frequências.  A Alitalia nem vem. A Air France tem 4 voos no inverno, a KLM apenas 2 pasme-se.  Das grandes empresas mundiais só temos a Emirates.  Devemos ter das poucas capitais Europeias sem um voo para Atlanta.  Aliás, das empresas Norte Americanas, só mesmo a United continua a operar durante o inverno de Lisboa para NYC e nem tem um voo diário.  A Delta prefere operar rotas para Malaga ao invés de operar para Lisboa.  A importância da TAP é assim enorme. É à TAP que se deve o acesso ao nosso mercado e ao nosso país.  É nestas alturas que tenho pena que em Portugal não haja sindicatos fortes.  Imaginemos só anunciar uma privatização destas num país escandinavo, sem o acordo dos sindicatos? Impensável. Nem passaria pela cabeça de nenhum governo. Ou veja-se o recente exemplo da Air France: uma greve de semanas, até que a administração foi forçada a abandonar os projectos que tinha para o desenvolvimento da filial low cost Transavia. E a administração abandonou.  O que neste momento se passa na TAP começa a parecer algo semelhante a uma gestão danosa. E o surpreendente é que ninguém parece questionar os actos da administração e o próprio Ministro da Economia cada vez que vai ao Parlamento, não parece sair de lá muito incomodado. Ora vejamos:
1- A TAP anunciou a compra de novos aviões (usados) em 2013. Ao mesmo tempo lançou novas rotas, 10, que passaram a 11 com a re-abertura de Oviedo.
2- Os aviões, esses, não chegaram a horas. Ou seja, fretou-se aviões a outras companhias, gastando-se milhões, isto porque as novas 11 rotas já estavam anunciadas e havia que voar.  No mínimo, mau, muito mau, planeamento. Mas o assunto lá se foi resolvendo e como tipicamente acontece em Portugal, a culpa morre solteira.  Justificam-se atrasos na entrega de aviões como se isso não se devesse planear antecipadamente. 
3- O governo anuncia novamente a privatização da empresa. Algo surpreendente para quem fala de consensos, sobretudo porque o principal partido da oposição já se tinha mostrado contra.  A bem da verdade, no programa deste governo constava a privatização da TAP.  Custa-me assim a acreditar que a administração da TAP não soubesse da intenção do governo e tenha sido apanhada de surpresa. Se o foi é muito grave. Se não o foi, é ainda mais grave que agora utilize esse argumento como desculpa para suspensão de rotas. 
4- Algumas semanas depois do anuncio, eis que Fernando Pinto diz que num quadro de privatização o acesso da empresa a capital é mais difícil. Pelo que há que suspender rotas. Mas a administração da TAP não dialoga com o governo? Ou isto tudo é feito às três pancadas ou então há aqui muitas coisas mal contadas.
5- Num ano, a administração de uma empresa (TAP) consegue anunciar 11 novas rotas para depois anunciar a suspensão de 3 delas. E tudo isto, com um silêncio quase total, excepto um artigo ou outro publicado, que quase parece encomendado, geralmente a falar sobre a "irresponsabilidade" de funcionários.
6- Ora, acho que seria legitimo perguntar aos actuais administradores da TAP o seguinte:
6.1 - porque razão se investiu em novas rotas e em aviões se haveria dificuldades de tesouraria devido a um processo de privatização?
6.2- Quanto custou a abertura das novas rotas? É bom ter em mente que uma empresa de aviação tem que investir muito dinheiro no estudo e negociação que levam à abertura das novas rotas. Não é só ter aviões.  Não é algo barato, custa muito dinheiro. Só para se ter um exemplo, a TAP investiu 100 milhões de dólares na rota Lisboa - Porto Alegre em 2011 (Fernando Pinto sobre ligação para Porto Alegre). E investiu bem! Mas que custa dinheiro, custa... 
6.3- Quanto foi o investimento da TAP nas novas rotas que agora suspendeu? Estou a falar da rota Lisboa - Talim (rota que quase nenhuma empresa de bandeira faz: repare-se, nem Air France, nem KLM, nem Alitalia, nem Iberia voam para Talim, só mesmo a Lufthansa e a Finnair). Quanto custou à TAP dedicar um avião para 12 horas de operação (ida e volta)? Quanto custou à TAP a abertura da rota Lisboa - Belgrado e Lisboa - São Petersburgo, rotas que agora, apenas 2 ou 3 meses depois se suspende?  Não duvidei do lançamento das rotas, calculo que os estudos de mercado foram devidamente feitos. Contudo, suspender uma rota meses depois de a abrir é muito grave. É praticamente sinónimo de as fechar. 
6.4- Isto mesmo diz Fernando Pinto sobre a reabertura de Bissau. Diz ele que a TAP deixou de operar a rota e que devido a isso agora não há procura. Outras empresas ficaram com os passageiros da TAP diz o administrador.  Ora, se há outras empresas a operar, quais são? E porque se assina um contrato com as autoridades Guineenses para a re-abertura da rota em plena visita oficial se depois não se assume o compromisso?  O nosso grande Ministro responsável pela internacionalização não comenta?  É devido à Euroatlantic que faz um voo por semana? A Senegal airlines para Dakar? o voo semanal de RAM? Mas então não é isto que corre o risco de acontecer nas rotas que a TAP agora suspende, as tais novas rotas, outras empresa virão, ocuparão o lugar da TAP e todo o investimento feito vai para o lixo?
6.5- diz Fernando Pinto que cada dia de greve dos trabalhadores custa 5 milhões de euros à TAP. Seria útil saber quanto custam estes erros da administração da TAP à empresa. Acho que terão custado mais, muito mais. Porque é que ninguém assume responsabilidade?

Em França, com o que a actual administração da TAP está a fazer e com um processo destes de privatização, a Air France estaria paralisada há muito tempo.  Sorte tem Fernando Pinto e este Ministro da Economia de em Portugal os sindicatos serem hoje mais fracos e de o país estar focado noutras coisas. É pena que assim seja. O que se está a fazer com a TAP neste momento é de tal maneira grave que apenas se pode esperar que seja levado às últimas consequências.  Li hoje que os funcionários da TAP ponderam uma greve de 4 dias devido à privatização. Só me surpreende é que sejam 4.

2 comentários:

  1. Nada a opor sobre o assunto de fundo, mas gostaria de precisar que me assustei com a ausência de voos para Lisboa de empresas-bandeira. Fui ver o que está previsto aterrar amanhã (16/12) até às 22:00 - 3 da Iberia, 2 da British Airways, 4 da Air France, 3 da Lufthansa, 1 dos Emirates.... Não fico tranquilo, mas sempre é melhor que o relatado na introdução. Cumprimentos

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    1. E há que ter em conta que existe um proteccionismo da empresa nacional, que reserva o direito de condicionar o numero de voos e os destinos. Ou seja se assim não fosse, poderia até haver mais voos.

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